Eduardo campos, ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência da República, nos deixou no dia 13 de agosto próximo passado em um trágico acidente aéreo que vitimou outros seis homens muito queridos por seus familiares e amigos. Acontece em situações de perda como esta um fenômeno que interessante. O mesmo evento que representa para os familiares uma perda irreparável, para um grupo muito maior representa o surgimento de um novo ser. Neste momento de dor e tristeza surge o mito. Aquele que se foi passa, quase que de imediato, a ser querido, idolatrado, venerado por pessoas que mal o conheciam, pelas que nunca o conheceram a não ser pelos noticiários e programas políticos. Até seus antigos adversários e desafetos passam a tratá-lo como modelo a ser seguido. O que mudou? Quem mudou? Quem é o verdadeiro, o homem ou o mito?

 

Desde as primeiras notícias do acidente até a cerimônia de sepultamento o que vimos nos telejornais foram pessoas chorando. Algumas chegando a por em dúvida o que seria de suas vidas a partir dali. Outras enaltecendo as virtudes daquele que era tido como um filho. Outras levando palavras de conforto à família. Os familiares, por outro lado, se mostraram tristes, porém serenos, sofridos, porém confiantes.

 

Afinal, quem era o verdadeiro Eduardo? O homem de família, que tem bom coração, bom administrador e modelo para a sociedade, de acordo com os depoimentos após sua partida? Ou é aquela pessoa que mal conhecíamos pelos noticiários, mas que, pelo fato de ser político já não o tínhamos em bom conceito? Ou é o adversário a quem questionávamos os reais interesses, a verdadeira moral? Para responder a esta questão é preciso antes responder a uma mais importante. Quem é você verdadeiramente? Você conhece a si mesmo?

 

Na maior parte do tempo nós vivemos em uma espécie de piloto automático. Nós nos alimentamos, trabalhamos e nos relacionamos sem ter consciência plena do que estamos fazendo e como estamos fazendo. Alguns exemplos: durante a refeição você mastiga com tranquilidade e sente todos os sabores? Sente a energia do alimento suprindo seu organismo? Certamente grande parte de nós sente apenas o cansaço após a refeição, fruto da má deglutição, do excesso, do alimento inadequado, da má digestão, que fazem o organismo trabalhar ainda mais, perdendo energia para poder absorvê-la. Outro exemplo: durante um dia normal é comum encontrarmos várias pessoas e cumprimentar com um aperto de mão, às vezes um abraço, e dar bom dia (ou boa tarde, boa noite). Às vezes perguntamos se está tudo bem com a pessoa. Quando você fala “bom dia” você está sendo apenas formal ou está desejando de coração que a pessoa tenha um dia agradável e produtivo? Da mesma forma, quando você pergunta se está tudo bem, você está realmente interessado em saber daquela pessoa? E se disporia a ajudá-la de alguma forma se ela estivesse com algum problema?

Mais importante do que saber quem é o outro é sabermos quem somos nós na nossa essência.

 

O fato é que nós procuramos nos esconder de nós mesmos e só enxergamos os defeitos dos outros. Isto porque o que vemos no outro é sempre um reflexo de nós mesmos. Trata-se de uma lei universal que faz com que semelhante atraia semelhante. Assim, quando você se aborrece com alguém por causa de certas atitudes, como, por exemplo, o chefe que grita com seus funcionários, é porque no seu inconsciente existe o mesmo padrão de comportamento, e isso lhe incomoda. Quando isso ocorre é preciso estar consciente, entender o que está acontecendo, e trabalhar para que o padrão correto de serenidade e amor ao próximo prevaleça e mude sua programação interna. Confrontar só irá alimentar o velho padrão dentro de você. Quando menos perceber estará apresentando o mesmo comportamento com seus familiares. No entanto, nós normalmente evitamos fazer esta autoanálise consciente e nos preocupamos apenas em tentar mudar os outros, em vez de prestar atenção nossos padrões de pensamentos e ações. O princípio de que nós estamos certos e o outro está errado nada mais é do que cegueira provocada pelo orgulho.

 

É preciso se desprender do orgulho e de preceitos que acumulamos desde a infância, na família, nas escolas, grupos de amigos, grupos religiosos, etc. É preciso se desprender do ego, se colocando no lugar do outro, sentindo o que ele sente, sofrendo o que ele sofre. Se, por apenas um segundo, você conseguisse assumir a identidade completa daquela pessoa, conheceria seus dramas, seus medos, suas forças e suas fraquezas, e então a veria com outros olhos. Se todos agissem assim, não haveria discórdia em família, discussões no trânsito, não haveria chefes tiranos, não haveria guerras.

Isto acontece porque usamos conscientemente apenas 5% do nosso cérebro. Os outros 95% são usados por nosso inconsciente, nosso piloto automático, que é regido por nossos instintos mais primitivos e pelas memórias das experiências de todas as vidas que vivemos. É preciso expandir esta consciência além dos 5% para voltarmos a ser senhores de nós mesmos, e não escravos de nossos instintos.

 

Para finalizar, proponho uma experiência bastante simples. Durante sete dias procure realizar todas as suas atividades com o máximo de consciência possível. Durante as refeições procure mastigar com calma, feche os olhos e identifique os sabores. Durante os cumprimentos, não deixa que seja apenas uma formalidade. Ao desejar bom dia, deseje de coração que o dia seja proveitoso, que os desafios sejam vencidos, que a convivência seja agradável, e que ao retornarem aos lares todos se encontrem bem. Se alguém lhe aborrecer ou agredir, não revide. Pare e invoque sua consciência. Tente se colocar no lugar da pessoa e entender o que a faz agir assim. Procure perdoar e seguir em frente. Não tenha receio de ser chamado de fraco por ter evitado o confronto. Os fracos procuram o confronto para se autoafirmarem. Os fortes não se abalam com ofensas. Perdoam e seguem seu caminho.

 

Eduardo Campos. Sai o homem. Entra o mito.

Por Kenedy Araújo

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